A Bagé que queremos próxima de nós. (Divaldo Lara)

O município de Bagé, ainda que mal comparando, parece aquela pessoa que desconfia ter algum problema sério de saúde, mas todos os dias adia a ida ao médico.
Assim se mostra Bagé, como alguém que enrola ou, como é comum dizer, empurra com a barriga.

Tenho um amigo que afirma que não vai ao médico porque o “doutor sempre acha alguma coisa na gente”. Como se a doença surgisse ao “ao pressentir a proximidade do médico”.
Veja se não tem tudo a ver com a nossa realidade. Vivemos em um município com muitos problemas e que não quer saber desses problemas. Ou, pior ainda, prefere não reconhecer e ainda se ofende com quem alerta para os problemas.

O desenvolvimento econômico está travado há muito tempo. Em 2009, houve um evento midiático da Prefeitura com uma presumível seriedade de que se discutiria e buscaria soluções para a estagnação econômica do município. Ex-prefeitos foram convidados, como Antônio Pires, Camilo Moreira, o saudoso doutor Luis Kalil, Carlos Sá Azambuja, Luiz Alberto Vargas  e Luiz Fernando Mainardi. Todos abordaram temas relacionados ao desenvolvimento, anunciando caminhos de solução. Um livro foi publicado com a pretensão de ser um diagnóstico estatístico da economia local e suas potencialidades. O livro não conseguiu explicar a que veio. Empresários de fora da cidade ao lerem o tal livro diagnosticaram como uma peça de ficção e, ainda por cima, defasada.
Infelizmente, nunca mais a gestão administrativa voltou a tratar do tema do desenvolvimento. E de lá para cá já se foram seis anos.

As universidades, escolas técnicas e instituições de pesquisas que poderiam ser potencializadas como um núcleo forte de pensar o futuro da cidade são esquecidas pelo Executivo. Falta entendimento de seu significado para uma comunidade que necessita crescer social, cultural e economicamente. Tudo porque parece não interessar o debate sério sobre os problemas de Bagé.

A maior obra de infraestrutura do município, a Barragem da Arvorezinha, obra histórica – cantada e decantada pelo atual governo “como nunca antes na história da região”, não tem mais perspectiva de concretização. Isto significa que possíveis futuros empreendedores  ao questionar o abastecimento de água, essencial para qualquer grande empresa, chegará e sairá da cidade sem resposta. Porque não há resposta, tudo o que for dito e especulado pela atual administração sobre a obra da barragem estará sob suspeita. É triste constatar, mas a maior obra se transformou na maior vergonha da Metade Sul do Estado.

Outro dia em Porto Alegre fui questionado por um servidor da Assembleia Legislativa:
- Bagé ficou conhecida em todo o Brasil pela falta de água, mas é verdade que a barragem não sai mais por corrupção?
Ouvi essas palavras com vergonha. Embora sendo oposição ao atual governo.
Vergonha, é o que nos resta.

A Prefeitura se recusa a aceitar que existem problemas e sérios problemas de infraestrutura e planejamento, ofende-se com quem critica a falta de perspectiva e o Executivo age como se tudo estivesse muito bem.

Na Câmara de Vereadores tenho colocado em pauta o tema do desenvolvimento de uma forma ampla e aberta para permitir o debate em todos os setores. Na educação, na saúde, no meio ambiente, na mobilidade urbana, nas obras de infraestrutura, enfim, proponho a discussão como um diagnóstico da doença que torna Bagé uma cidade aflita por não ter um olhar de futuro. O parque tecnológico é um exemplo dessa minha preocupação, que tem como principal objetivo criar uma nova matriz econômica na região, baseada na economia do conhecimento.

Não vamos fazer uma cidade com melhores perspectivas para as pessoas que vivem aqui sem buscar incessantemente, dia a dia, hora a hora, o caminho do desenvolvimento. Para chegar ao objetivo é preciso integrar todas as forças da comunidade. E isso começa com a redução da máquina pública, procurando direcionar o que há de melhor na gestão municipal para potencializar nossas instituições de ensino e produção de conhecimento para, assim, chegar ao desenvolvimento econômico e social de nossa Bagé. Esse é o caminho. É preciso estar alerta para esta perspectiva. Não dá mais para esquecer nossos problemas e não querer resolvê-los.  

*Presidente da Câmara Municipal de Vereadores