Artigo: Quando é preciso dar fim a uma injustiça.

Divaldo Lara

Desde que cheguei à Câmara de Vereadores pela vontade da população bageense, em 2009, tenho ouvido falar a mesma história por parte do Executivo: deixar de cobrar a taxa de água fixa, segundo o tamanho do imóvel, e passar para tarifa, conforme o consumo.

O problema é que há muita conversa e pouca ação.
Aliás, nenhuma ação e muita enrolação. Em 2011, havia um projeto em tramitação e o líder do governo no Legislativo a mando do prefeito solicitou a sua retirada. Fez sob a promessa do chefe do Executivo que faria um estudo e formataria um novo projeto. Passaram-se quatro anos, e nada.
Cansados de cobrar e esperar, o vereador Esquerda Carneiro e eu resolvemos agir, estudando a matéria, consultando técnicos do setor e funcionários da autarquia para oferecer às famílias e empresas de Bagé uma forma justa de cobrar a água consumida. Elaboramos um projeto, apresentamos e aprovamos em plenário, inclusive com votos dos vereadores do PT.

Mais que a demora do Executivo, inúmeros fatores motivaram o nosso trabalho. Em primeiro lugar está o pedido da população que não aguenta mais o absurdo e a injustiça dos excessos apontados pelos hidrômetros, na grande maioria inexistentes excessos. Os vereadores em seus gabinetes são testemunhas da indignação, do protesto e da sensação de menos-valia das pessoas honestas do nosso município que recebem a medição do gasto com água em valores que muitas vezes ultrapassam 300, 700, um mil e dois mil reais. Há casos irreais, que dá pena ver a crueldade da injustiça.

O descaso da Prefeitura com o problema provocou à Câmara chamar para si a responsabilidade. Nosso projeto não foi feito para o governo, mas para a população. O que queremos com a cobrança justa da tarifa de água é a compreensão de todas as famílias que vivem em Bagé sobre a nossa responsabilidade. E se agora o prefeito envia o seu projeto, tardio, para o Legislativo e veta o que elaboramos, trata-se de uma máscara na realidade, impingindo o discurso vazio que o nosso projeto tem a intenção de enfraquecer o Daeb e seu orçamento de R$ 22 milhões. O mesmo Daeb que foi manipulado na corrupta obra da barragem. Essa, sim, uma ação que se configurou no enfraquecimento moral da autarquia. Nunca em seus 45 anos de existência o Daeb foi tão desmoralizado como agora.

O que quero, junto ao vereador Esquerda, é o melhor para a nossa comunidade. E o melhor é a cobrança justa na tarifa de água. É o fim da injustiça.
A Câmara Municipal está fazendo a sua parte com seriedade e responsabilidade.
Temos um só propósito: beneficiar os moradores de Bagé oferecendo um serviço de qualidade.
Agora, vamos debater os projetos e oferecer o que é justo para o consumidor.

- Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Bagé