Divaldo Lara – Presidente da Câmara de Vereadores de Bagé
Foi numa manhã de 29 de janeiro, há três anos, que a Câmara Municipal de Vereadores abriu suas portas para Bagé se despedir de um de seus mais ilustres filhos, Luís Simão Kalil.
O morador da rua José Otávio, filho do imigrante libanês Elias e da dona Labibe, o médico, vereador, prefeito, escritor, pai do Elias, da Rita e da Milena, marido da Leny, gentil com todos, amigo dos amigos, apaixonado por Bagé, foi-se de nosso convívio no dia 28 de janeiro de 2013.
No ano passado, tive a oportunidade de participar da homenagem prestada ao doutor Luís por familiares e amigos na LEB Livraria. Na ocasião, ouvi coisas maravilhosas sobre ele, como por exemplo: aprendeu tudo sobre a Segunda Guerra Mundial lendo o Correio do Sul no balcão do comércio de seu pai; no início da carreira, foi médico do Samdu, que é o Samu de hoje, indo às casas das pessoas doentes em todos os bairros de Bagé; até os primeiros conhecimentos da política como vereador, depois presidente da Câmara e assumindo como prefeito no lugar do doutor Camilo Moreira.
Surpreendi-me ao saber que Luís Kalil, em seu mandato de menos de um ano como prefeito substituto, em 1978, concluiu a estação rodoviária no bairro Getúlio Vargas, o Centro Social Urbano, na zona leste e a barragem da Sanga Rasa.
Ou seja, o prefeito Camilo Moreira começou e Kalil concluiu com muita responsabilidade e eficiência, num período muito curto de tempo, obras importantes para a cidade.
Outro fato contado durante a homenagem e que consta em seu livro de crônicas, diz respeito a um dos primeiros projetos na Câmara de Vereadores: o tombamento de prédios históricos. Kalil sempre disse que não era contra a construção mobiliária que gera trabalho e renda, mas não gostaria de perder a beleza arquitetônica de sua querida Bagé, como aconteceu com o Mercado Público. Na votação em plenário, o projeto sofreu derrota contundente, e, como ele mesmo confessou, não havia entendido o motivo. Ficou muito triste e desiludido, pois confiava na vitória. Até que recebeu o consolo de um vereador da oposição que disse:
- Votei com o senhor e digo que está com toda a razão. Ora, o que esses vereadores querem com uns prédios velhos, tem que ser tombado mesmo, bota no chão e constrói novos.
O doutor Luís ficou pensativo naquele momento, quase entendendo o porquê de seu projeto ser derrotado. Sentiu que devia ter explicado o óbvio: tombar não é derrubar, pelo contrário.
Como presidente da Câmara Municipal, reservo-me o direito, com a permissão dos familiares e leitores, de destacar nesta homenagem o político Luís Simão Kalil, que teve o carinho e o respeito de todos, da direita à esquerda. Aliás, a sua entrada na política ocorreu ao cumprir uma missão do secretário de Estado de Justiça, Celestino Goulart. Também bageense. Ele pediu que Kalil implantasse a assistência médica do IPE na região. E assim foi feito. Isso aproximou o homem que seria vereador e prefeito da política partidária.
No entanto, é importante lembrar 1989, o ano da grande seca de Bagé. Imagine, alguém assumir como prefeito eleito pelo voto popular em janeiro daquele ano e se deparar com uma falta de água jamais vista na história do nosso município? Caminhões-pipa nos bairros, postos artesianos sendo abertos em todos os cantos e uma barragem emergencial construída. Com muita liderança e espírito humanitário, ele conduziu a cidade que tanto amava a atravessar a crise com dignidade e altivez, jamais esquecendo dos cuidados com a saúde. Afinal, quando não há água, a saúde pública sofre, tornando-se muito frágil. E Kalil evitou uma tragédia nesse sentido.
Tive a oportunidade de conversar apenas duas vezes com ele. A primeira, em sua casa, com minha irmã Adriana e dona Leny. A segunda, em um encontro casual num café, quando percebi de perto sua gentileza, sua perspicácia ao observar a política no município, seu bom humor e seu otimismo no amor por esta terra e pela gente que aqui vive. Entendi porque todos gostavam dele, senti seu sentimento de bem querer e, quando se foi, aos 75 anos, lamentei sua perda.
Fica uma certeza nesta homenagem: Bagé precisa de mais gente como Luís Simão Kalil na vida pública. E não se pode esquecê-lo, jamais.
Foi numa manhã de 29 de janeiro, há três anos, que a Câmara Municipal de Vereadores abriu suas portas para Bagé se despedir de um de seus mais ilustres filhos, Luís Simão Kalil.
O morador da rua José Otávio, filho do imigrante libanês Elias e da dona Labibe, o médico, vereador, prefeito, escritor, pai do Elias, da Rita e da Milena, marido da Leny, gentil com todos, amigo dos amigos, apaixonado por Bagé, foi-se de nosso convívio no dia 28 de janeiro de 2013.
No ano passado, tive a oportunidade de participar da homenagem prestada ao doutor Luís por familiares e amigos na LEB Livraria. Na ocasião, ouvi coisas maravilhosas sobre ele, como por exemplo: aprendeu tudo sobre a Segunda Guerra Mundial lendo o Correio do Sul no balcão do comércio de seu pai; no início da carreira, foi médico do Samdu, que é o Samu de hoje, indo às casas das pessoas doentes em todos os bairros de Bagé; até os primeiros conhecimentos da política como vereador, depois presidente da Câmara e assumindo como prefeito no lugar do doutor Camilo Moreira.
Surpreendi-me ao saber que Luís Kalil, em seu mandato de menos de um ano como prefeito substituto, em 1978, concluiu a estação rodoviária no bairro Getúlio Vargas, o Centro Social Urbano, na zona leste e a barragem da Sanga Rasa.
Ou seja, o prefeito Camilo Moreira começou e Kalil concluiu com muita responsabilidade e eficiência, num período muito curto de tempo, obras importantes para a cidade.
Outro fato contado durante a homenagem e que consta em seu livro de crônicas, diz respeito a um dos primeiros projetos na Câmara de Vereadores: o tombamento de prédios históricos. Kalil sempre disse que não era contra a construção mobiliária que gera trabalho e renda, mas não gostaria de perder a beleza arquitetônica de sua querida Bagé, como aconteceu com o Mercado Público. Na votação em plenário, o projeto sofreu derrota contundente, e, como ele mesmo confessou, não havia entendido o motivo. Ficou muito triste e desiludido, pois confiava na vitória. Até que recebeu o consolo de um vereador da oposição que disse:
- Votei com o senhor e digo que está com toda a razão. Ora, o que esses vereadores querem com uns prédios velhos, tem que ser tombado mesmo, bota no chão e constrói novos.
O doutor Luís ficou pensativo naquele momento, quase entendendo o porquê de seu projeto ser derrotado. Sentiu que devia ter explicado o óbvio: tombar não é derrubar, pelo contrário.
Como presidente da Câmara Municipal, reservo-me o direito, com a permissão dos familiares e leitores, de destacar nesta homenagem o político Luís Simão Kalil, que teve o carinho e o respeito de todos, da direita à esquerda. Aliás, a sua entrada na política ocorreu ao cumprir uma missão do secretário de Estado de Justiça, Celestino Goulart. Também bageense. Ele pediu que Kalil implantasse a assistência médica do IPE na região. E assim foi feito. Isso aproximou o homem que seria vereador e prefeito da política partidária.
No entanto, é importante lembrar 1989, o ano da grande seca de Bagé. Imagine, alguém assumir como prefeito eleito pelo voto popular em janeiro daquele ano e se deparar com uma falta de água jamais vista na história do nosso município? Caminhões-pipa nos bairros, postos artesianos sendo abertos em todos os cantos e uma barragem emergencial construída. Com muita liderança e espírito humanitário, ele conduziu a cidade que tanto amava a atravessar a crise com dignidade e altivez, jamais esquecendo dos cuidados com a saúde. Afinal, quando não há água, a saúde pública sofre, tornando-se muito frágil. E Kalil evitou uma tragédia nesse sentido.
Tive a oportunidade de conversar apenas duas vezes com ele. A primeira, em sua casa, com minha irmã Adriana e dona Leny. A segunda, em um encontro casual num café, quando percebi de perto sua gentileza, sua perspicácia ao observar a política no município, seu bom humor e seu otimismo no amor por esta terra e pela gente que aqui vive. Entendi porque todos gostavam dele, senti seu sentimento de bem querer e, quando se foi, aos 75 anos, lamentei sua perda.
Fica uma certeza nesta homenagem: Bagé precisa de mais gente como Luís Simão Kalil na vida pública. E não se pode esquecê-lo, jamais.
