Artigo: O Brasil nas ruas pelo Brasil

Presidente da Câmara de Vereadores de Bagé

Vivemos um momento delicado na política brasileira. Poucas vezes foi tão necessária a participação popular de forma efetiva, levando seu protesto às ruas, como agora. Nunca na história deste país um juiz federal teve tanto apoio da cidadania como estamos vendo, porque tem coragem e o espírito de justiça em seus atos. Atos que surgem associado à moral.

O Brasil está em busca da sua dignidade. A população clama por ética na política e em todos os setores da sociedade. Ir às ruas significa o símbolo do resgate da moralidade, do respeito aos valores éticos. O governo federal demonstra que está de costas para o clamor popular, mais ainda quando nomeia um ex-presidente ministro para fugir da Justiça que se mostra independente em suas ações.
Bagé está inserida nessa indignação que abala o Brasil e não poderia ser diferente por sua tradição de lutas, que começou desde antes da fundação do município, quando defendeu suas fronteiras com o próprio sangue.

A Rainha da Fronteira não está indiferente aos acontecimentos que assolam a política brasileira. A vergonha que fere a moral do povo de norte a sul, fere o bageense de forma indelével porque tem por si um governo municipal que defende a política de sombras que emana de Brasília, infelizmente.
O atual momento é delicado, sim, mas único para demonstrar a força de uma comunidade. A crise política sem volta, pelo rumo dos acontecimentos, agrava mais a crise econômica, afetando diretamente a produção de riquezas, destruindo com os postos de trabalho e chegando à mesa dos brasileiros. E esta é a parte mais triste de uma crise das proporções que estamos vivendo.
Não há retorno, lamentavelmente. O governo não tem mais força ou respaldo político para salvar o Brasil dessa queda livre. Nem mesmo conseguirá fazer as empresas envolvidas na Operação Lava Jato voltar às obras paradas, ou, como é o caso, voltar ao local do crime.

Por isso, a população está nas ruas. Porque quer moralidade, ética, justiça. Quer o Brasil para si como um país que dignifique os anseios de desenvolvimento econômico e social da cidadania.
As pessoas não protestam por defenderem alguém, mas porque estão envergonhadas e querem se orgulhar do seu país.
As pessoas, em sua maioria, não estão indo às ruas para defender este ou aquele partido, mas porque não aguentam mais o deboche, o escárnio, a falta de respeito de um grupo que tomou conta do governo e em seu nome deflagra a imoralidade.

Senti orgulho das manifestações de domingo passado na Rainha da Fronteira e quando ocorreu o anúncio do novo ministro da Casa Civil, na última quarta-feira, o bageense correu para a frente da sede da Polícia Federal, na avenida Presidente Vargas, como a simbologia da solidariedade ao juiz Sérgio Moro.  Parabéns ao Sindicato Rural e ao Sindilojas, entidades que se associam aos protestos, cumprindo a missão de zelar pelo Brasil.
É motivo de muito orgulho saber que não estamos passivos, acomodados, aceitando os desmandos que caem de Brasília.

Manter-nos em pé, lutando por um país melhor, de dignidade, é uma grande missão. Porque temos que ter esperança, sempre. O projeto petista se esgotou, teve seu tempo, conseguiu alguns avanços até que se enredou na própria teia.
Portanto, é preciso gritar pela ética, exigir moralidade e dignidade.
Por isso, é preciso fortalecer o senso de Justiça, e quando se tem alguém como o juiz Sérgio Moro a motivação é maior.
Por isto, é preciso ter esperança, porque nossa gente está na luta, está nas ruas, anunciando que “se ergues da Justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta”.

Vamos lá, do sul sopram os ventos da mudança!